A execução dos trabalhos de remoção de rejeitos no Rio Paraopeba é considerada “extremamente lenta” pelo Instituto Guaicuy, organização que atua na recuperação da Bacia do Rio das Velhas. Segundo a entidade, o volume já retirado pela mineradora Vale ainda é pequeno diante da dimensão dos danos provocados pelo rompimento da barragem em 2019.
De acordo com a bióloga Mônica Campos, supervisora do escritório de mitigação do instituto, o avanço registrado até agora é insuficiente. Ela classifica a ação como reduzida frente ao impacto ambiental gerado. Em março deste ano, a mineradora concluiu a retirada de rejeitos em um trecho de cerca de três quilômetros do rio.
Esse segmento faz parte de um total de quatro áreas previstas para intervenção, somando 46 quilômetros entre o Ribeirão Ferro-Carvão e a usina termelétrica de Igarapé. A previsão é de que essa etapa de limpeza, que envolve principalmente dragagem do leito do rio com maquinário, seja finalizada apenas em abril de 2029.
No entanto, o Rio Paraopeba possui ao todo 307 quilômetros até a barragem da Hidrelétrica de Três Marias, incluindo também o reservatório da usina. Para os demais 261 quilômetros ainda não há prazo definido para a remoção dos rejeitos.
Mônica Campos avalia que o processo ocorre de forma excessivamente lenta. Segundo ela, enquanto os rejeitos permanecem no leito do rio, há movimentação constante desses materiais, especialmente no período de chuvas, o que mantém a contaminação ativa. Ela também destaca que os resíduos podem se acumular nas áreas de inundação, ampliando os efeitos ambientais ao longo do tempo.
A especialista ressalta ainda que a dragagem, embora necessária, também gera impactos secundários, como a suspensão de sedimentos na água. Além disso, o plano de recuperação inclui outras ações, como recomposição da calha do rio e restauração da vegetação das margens, fundamentais para a recuperação da fauna e flora.
Posicionamento da Vale
Em nota, a Vale informou que a dragagem do Rio Paraopeba é realizada apenas nos trechos onde há confirmação de deposição de rejeitos, seguindo critérios técnicos e de segurança. A empresa afirma que a área de atuação vai até a usina termelétrica de Igarapé, com conclusão prevista para abril de 2029, conforme cronograma acordado com órgãos públicos e instituições de Justiça.
A mineradora também destaca que as ações de recomposição da vegetação já estão em andamento nas áreas diretamente afetadas pelo rompimento, especialmente na bacia do ribeirão Ferro-Carvão e sua confluência com o Rio Paraopeba. Segundo a empresa, essas atividades seguem até 2031 e as margens do rio não foram impactadas diretamente pelo rompimento, concentrando-se a recuperação nas áreas onde ocorre a remoção dos rejeitos.
Foto: Vale
