Debate sobre mineração em Brumadinho reúne denúncias e temor de moradores

Audiência foi solicitada pela deputada estadual Bella Gonçalves, que criticou o modelo de renovação automática do licenciamento ambiental

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A discussão sobre a continuidade das atividades da Mina de Jangada, em Brumadinho, mobilizou moradores, ambientalistas e parlamentares durante audiência pública realizada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira, 26.

O encontro debateu a renovação da licença ambiental da mineradora e levantou suspeitas sobre o processo de transferência de titularidade do empreendimento. Participantes afirmaram que a prática estaria sendo utilizada para acelerar autorizações e evitar novas exigências ambientais. A mina faz parte do complexo do Córrego do Feijão, região marcada pelo rompimento da barragem da Vale em 2019, tragédia que matou 272 pessoas. Moradores da Comunidade de Jangada relataram preocupação com a proximidade da cava e afirmaram temer novos impactos ambientais e riscos à população.

A audiência foi solicitada pela deputada estadual Bella Gonçalves, que criticou o modelo de renovação automática do licenciamento ambiental. Segundo ela, o processo deveria ser revisto após as investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Rejeito, que apontou possíveis irregularidades envolvendo agentes públicos ligados ao setor ambiental. Durante o debate, representantes da comunidade denunciaram dificuldades para acessar informações sobre o licenciamento e cobraram maior participação popular nas decisões relacionadas à mineração na região.

Ambientalistas também questionaram a continuidade das operações na área. A ativista Maria Teresa Corujo afirmou que a Mina de Jangada e o Córrego do Feijão sempre integraram a mesma área de impacto ambiental. Já o advogado da comunidade, Danilo D’Addio Chammas, defendeu a necessidade de novos estudos ambientais diante das mudanças ocorridas após o rompimento de 2019.

Moradores relataram ainda os impactos emocionais deixados pela tragédia e disseram conviver novamente com insegurança e medo diante da expansão da atividade minerária próxima à comunidade. A diretora de Gestão Regional da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), Kamila Esteves Leal, declarou que o procedimento de revalidação da licença segue as normas estabelecidas pelo órgão ambiental e informou que a documentação poderá ser consultada publicamente.

Foto: ALMG

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