Memorial Brumadinho realiza seminário internacional sobre memória, cultura de prevenção e mineração responsável
Sete anos e meio depois da maior tragédia humanitária e trabalhista do Brasil, que interrompeu 272 vidas após o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério da Vale, a cidade de Brumadinho (MG) começa a se afirmar como território de memória e construção de futuro. É desse lugar que o Memorial Brumadinho realiza, de 13 a 15 de agosto de 2026, o seu primeiro seminário internacional – com especialistas, pesquisadores, artistas, jornalistas, lideranças comunitárias e familiares de vítimas –, para discutir direito à memória, justiça ambiental, mineração responsável, cultura de prevenção e não repetição.
O seminário ocorre num momento em que o Brasil discute seu papel na nova economia, impulsionada pelas terras raras, pelos minerais críticos, pela transição energética e pela neoindustrialização. Intitulado “Mande notícias do mundo de lá”, o encontro propõe uma reflexão sobre os paradoxos desse novo ciclo, incluindo o papel dos museus e memoriais na reparação simbólica, na formação de consciência e na transformação da realidade. O Memorial Brumadinho nasce do luto e da luta dos familiares das 272 vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em 25 de janeiro de 2019.
Apenas três anos antes da tragédia de Brumadinho, o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, já havia provocado a morte de 20 pessoas, destruído distritos inteiros e impactado a bacia do Rio Doce e seus ecossistemas com a lama tóxica. Mais do que uma programação acadêmica ou cultural, o seminário internacional posiciona o Memorial Brumadinho como espaço de memória ativa, produção de conhecimento e compromisso público com a vida. A premissa é direta: lembrar não é permanecer preso ao passado. É construir uma cultura de responsabilidade para que nenhuma outra família precise enfrentar a dor por perdas prematuras e que poderiam ser evitadas. Rua Hum, nº 100, Bairro Córrego do Feijão – Brumadinho, MG
A programação articula mesas de debate, visitas mediadas ao Memorial, intervenções artísticas e exposições fotográficas que valorizam o ser humano e o ambiente natural. A proposta é possibilitar trocas e a aquisição de conhecimento nos debates, nas caminhadas pelo bosque, na escuta das comunidades, na partilha da comida, na arte e na experiência concreta do território. “O Memorial Brumadinho carrega a responsabilidade, que é de caráter coletivo, de transformar dor em legado, escuta em conhecimento e memória em compromisso com a vida. Este seminário é um convite para que o Brasil discuta o seu futuro, considerando aquilo que Mariana e Brumadinho já nos ensinaram”, diz Fabíola Moulin, diretora-presidente da Fundação Memorial de Brumadinho.
A Fundação Memorial de Brumadinho, responsável pelo espaço, é gerida de forma independente pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM).
Mais informações: www.memorialbrumadinho.org.br
