Abraço simbólico e plantio de rosas marcam mais um ato em memória às vítimas da tragédia da Vale

Encontro realizado em parceria com o movimento Romaria uniu familiares em um momento de fé e reafirmação da luta por justiça

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Um abraço coletivo marcou a manhã desta segunda-feira, 19 na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho. O local, onde 272 pessoas morreram após o rompimento da barragem da Vale em 25 de janeiro de 2019, voltou a ser ocupado por familiares, moradores e apoiadores em mais um dos atos que integram a semana de mobilização pelos 7 anos da tragédia.

Durante o encontro, rosas foram plantadas em homenagem às vítimas, em um ato simbólico que buscou ressignificar o espaço devastado. Para os familiares presentes, a iniciativa representou amor, continuidade e a recusa ao esquecimento, além de reforçar a necessidade de preservar a memória como forma de exigir responsabilização.

A diretora da AVABRUM, Maria Regina Silva, mãe da jovem Priscila Elen, morta na tragédia, destacou que a dor permanece cotidiana, mas que a resistência segue firme. “A saudade nunca diminui, mas a gente aprende a transformar essa dor em força. Resistir é continuar acreditando que a Justiça será feita, mesmo quando tudo parece caminhar devagar demais”, afirmou.

Moradora do Córrego do Feijão há 51 anos, Carmen Sandra Barbosa chamou atenção para o esvaziamento progressivo do bairro desde o rompimento. “A população vem diminuindo e, do jeito que está, tende a desaparecer. Quem ficou ainda convive com o luto todos os dias”, disse. Para ela, as marcas da tragédia vão além da paisagem alterada pela lama. “O relevo mudou, mas o psicológico dos moradores também. A lama deixou cicatrizes profundas que não aparecem, mas pesam muito na vida de quem continua aqui”, completou.

O ato desta segunda-feira reforçou o caráter coletivo da semana de mobilizações, que reúne diferentes iniciativas em defesa da memória, da justiça e da responsabilização pelos crimes cometidos. Até o próximo dia 25 de janeiro, diversas atividades serão realizadas na cidade como forma de fortalecer a luta por Justiça.

Para Nayara Porto, presidenta da AVABRUM, o abraço ao Córrego do Feijão simboliza a força de quem se recusa a seguir em silêncio. “Esses atos mostram que a memória está viva e que a fé, a união e a persistência seguem sustentando essa caminhada. Sete anos depois, continuamos exigindo justiça e reafirmando que nenhuma vida pode ser tratada como número”, concluiu.

Fotos: Divulgação/Avabrum

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