Avabrum promove série de eventos que marcam 7 anos da tragédia da Vale

Mobilização social reúne atos públicos, seminário, encontros com lideranças nacionais e ações culturais para cobrar justiça

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A Avabrum – Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão promove entre os dias 17 e 25 de janeiro, uma série de iniciativas que marca os sete anos da tragédia da Vale em Brumadinho. A semana contará com uma ampla agenda de ações voltadas à preservação da memória, honra às 272 vítimas, denúncia da impunidade e ao fortalecimento da luta por justiça. Todas as ações serão abertas à sociedade, com atividades distribuídas em diferentes territórios e formatos, convidando a população a se envolver, apoiar e ocupar espaços de mobilização coletiva.

Este ano, o lema é: “7 anos de impunidade”. A programação propõe transformar a data em um período de presença ativa, reflexão crítica e articulação social. Segundo a entidade, a proposta é reafirmar que o crime não pertence ao passado e que seus efeitos continuam a impactar vidas, relações comunitárias e o debate público, exigindo respostas institucionais compatíveis com a dimensão da tragédia.

As ações começam no sábado, 17 de janeiro, com um adesivaço realizado em Sarzedo, Mário Campos, Brumadinho e Casa Branca. A partir das 17h, ocorre a distribuição e colagem de materiais nos vidros traseiros de automóveis, ampliando a circulação da mensagem por memória, justiça e responsabilização no cotidiano de municípios atingidos.

No domingo, 18 de janeiro, acontece o 4º Pedal e a 1ª Caminhada por Brumadinho, com concentração às 6h e saída às 8h, no Memorial Brumadinho. A iniciativa propõe ocupar o território por meio de atividades recreativas coletivas, estimular a convivência e reforçar o Memorial como espaço permanente de lembrança, escuta e compromisso social.

A segunda-feira, 19 de janeiro, será marcada por um ato simbólico de forte significado. Familiares, atingidos e apoiadores se reúnem para o Abraço ao Córrego do Feijão e o plantio de rosas em homenagem às vítimas do rompimento da barragem da Vale. A atividade tem início às 8h, com ponto de encontro na Praça do Córrego do Feijão e deslocamento até a área da Mina Córrego do Feijão. O local recebe o ato por ter sido o espaço onde ocorreu o resgate dos corpos das vítimas, incluindo dois trabalhadores que ainda não foram encontrados, Thiago Silva (34) e Natália Oliveira (25). O gesto coletivo busca reafirmar que a memória é um ato político e que a justiça permanece como uma dívida aberta.

Na quinta-feira, 22 de janeiro, a Câmara dos Vereadores de Brumadinho recebe o seminário “Memória e Resistência por Justiça”. O encontro ocorre das 9h às 12h, reunindo debates, análises e trocas de experiências sobre os impactos prolongados da tragédia-crime, os obstáculos à garantia de direitos e o papel da memória como instrumento de enfrentamento à impunidade.

Nas mesas de debates estarão a professora e ex-pró-reitora da UFMG, Cláudia Mayorga, o desembargador da 3ª Região do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, Marcelo Pertence e a economista e mestre em Educação da UFSCar, Norma Valêncio. Na sequência haverá o lançamento da obra “Teses jurídicas em defesa dos atingidos pela mineração” organizada por Maria Fernanda Salcedo Repolês e Gabriela Consolaro Nabozny, integrantes do Polo de Cidadania da Faculdade de Direito da UFMG.

A sexta-feira, 23 de janeiro, concentra duas iniciativas centrais. Pela manhã, às 9h, o Memorial Brumadinho sedia o Encontro das Associações das grandes tragédias do Brasil. Representantes de Brumadinho, Mariana, do Ninho do Urubu, Braskem em Maceió e Boate Kiss, em Santa Maria, se reúnem para escrever uma carta destinada à justiça brasileira e internacional, cobrando celeridade nos processos criminais. O encontro fortalece a articulação nacional entre coletivos atingidos e amplia a denúncia sobre a lentidão do sistema judicial diante de crimes de grande impacto social.

No período da noite, às 18h, a Praça das Joias recebe um concerto musical com bandas do Projeto Anagama, de Brumadinho. A atividade valoriza a produção artística local e reconhece a cultura como ferramenta de expressão, elaboração do luto e mobilização social.

No sábado, 24 de janeiro, ocorre uma carreata com concentração às 17h no Cemitério Parque das Rosas e chegada ao Letreiro de Brumadinho. Na sequência, o percurso segue até a Igreja Córrego do Feijão, onde a comunidade se reúne para rezar 272 Ave-Marias em homenagem às vítimas, em um gesto coletivo de espiritualidade, solidariedade e lembrança compartilhada.

O encerramento acontece no domingo, 25 de janeiro, às 11h, no Letreiro de Brumadinho, com o ato dos 7 Anos. O momento é dedicado à memória das 272 pessoas mortas pela tragédia e à reafirmação pública da exigência por justiça, responsabilização e respeito às famílias atingidas.

Para a diretora da AVABRUM, Maria Regina Silva, a programação reafirma o papel da sociedade na construção da memória e na cobrança por respostas. “Cada iniciativa dessa semana foi pensada para mobilizar, sensibilizar e unir pessoas em torno da memória das vítimas. Estar presente é recusar o esquecimento, denunciar a impunidade e afirmar que a justiça precisa deixar de ser promessa para se tornar realidade”, conclui.

Fonte: Avabrum

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