Julgamento sobre tragédia da Vale é retomado nesta segunda

Primeira semana foi marcada pela luta por justiça. Testemunhas relataram rumores de vazamento e falhas em sirenes

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A primeira semana das oitivas do processo criminal, que apura o rompimento da Barragem B1 da Vale, na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, foi marcada por relatos de forte emoção e por uma participação mais ativa das defesas durante os questionamentos. Na última sexta-feira, 27, três mulheres prestaram depoimento em Belo Horizonte. A fase de instrução do processo prevê a realização de 76 audiências para ouvir testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa.

A Presidente da Avabrum – Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão, – Nayara Porto falou sobre o marido, Everton, que trabalhava no almoxarifado da mina e morreu no rompimento. Segundo ela, desde 2018 ele demonstrava nervosismo e insatisfação com o trabalho, chegando a afirmar que a empresa “não era lugar de se trabalhar” e manifestando desejo de sair.

Ela relatou que, assim como apontado por outras testemunhas, a sirene de emergência não foi acionada, tendo sido “engolida” pela lama. O corpo do marido foi reconhecido por meio de uma tatuagem no braço esquerdo.
Juliana Cardoso também foi ouvida. Ela perdeu o sogro, Levi, funcionário da limpeza da mina. Segundo relatou, ele comentava sobre rumores de possível vazamento na barragem. Juliana afirmou que trabalhadores terceirizados recebiam tratamento diferenciado dentro da empresa e, assim como outras testemunhas, declarou que as sirenes não tocaram.

Josiana de Souza Resende perdeu a irmã e o cunhado, que deixaram filhos gêmeos de 10 meses. Técnica de enfermagem do trabalho na própria Vale, ela informou que estava de folga no dia de um treinamento de segurança realizado em outubro de 2018 e que não foi convocada posteriormente para refazê-lo. Para Josiana, o treinamento ocorreu após rumores de vazamento que circulavam entre funcionários.

O advogado Danilo Chammas, representante da Avabrum, considerou o andamento das audiências um avanço importante e destacou que a principal preocupação é garantir que o processo transcorra de forma regular, sem entraves.
A fase de instrução terá continuidade na próxima segunda-feira (02), com novos depoimentos.

Foto: Divulgação/TRF-6

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