O ex-secretário de Desenvolvimento Social, João Santos, participou na última quinta-feira, 16, da audiência pública da Comissão Externa da Câmara dos Deputados destinada a fiscalizar os rompimentos de barragens, com foco na repactuação do acordo de Mariana e no avanço da reparação pelo crime de Brumadinho. Realizado no Anexo II, Plenário 04, o encontro teve início às 9h30 e reuniu autoridades federais, representantes de movimentos sociais, gestores municipais e especialistas para discutir a regulamentação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens, além da situação do auxílio emergencial na Bacia do Paraopeba.
A audiência contou com a presença de nomes como a secretária nacional Kelli Mafort (Secretaria-Geral da Presidência), a diretora Julevânia Olegário (Ministério de Minas e Energia), representantes do Movimento dos tingidos por Barragens (MAB), da Defensoria Pública da União (DPU), do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), do prefeito de Brumadinho, Gabriel Parreiras, da prefeita de Mário Campos, Andresa Rodrigues, além da Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
Durante sua fala, João do Social reafirmou sua trajetória de luta ao lado das comunidades atingidas — muito antes da atuação política — e destacou a urgência de garantir voz ativa a quem vive diretamente as consequências do rompimento. Em tom firme, ele reforçou que os atingidos não buscam privilégios, mas sim respeito, dignidade e reparação justa. “Quem vive na Bacia do Paraopeba sabe o tamanho da mudança que esse crime causou em nossas vidas. Não queremos luxo, queremos respeito. Queremos estar na mesa de negociação, participando das decisões que impactam o nosso dia a dia, nossas famílias e o nosso futuro”, afirmou.
João também fez questão de reconhecer o empenho de lideranças como o prefeito Gabriel Parreiras e o deputado federal Pedro Aihara na defesa da pauta, destacando a importância de união institucional com o protagonismo popular. Em um dos momentos mais marcantes, João do Social utilizou seu lugar de fala como atingido para fazer um apelo direto ao deputado Rogério Correia, solicitando que leve ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a demanda por diálogo direto com os atingidos.
“Precisamos ser escutados pelo presidente. Queremos sentar, conversar e construir juntos. A nossa luta é por dignidade, por espaço e por oportunidade de fala”, reforçou. Outro ponto central da manifestação foi a crítica à condução das discussões exclusivamente em Brasília. João defendeu que os debates sobre reparação sejam descentralizados, acontecendo também em Minas Gerais, especialmente na Assembleia Legislativa (ALMG) e em espaços públicos das cidades atingidas.
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